Casa Nem, abrigo para LGBTI+, conquista endereço definitivo no Rio

‘A Casa Nem provou que um outro mundo é possível’, disse Indianara Siqueira, fundadora do abrigo

A Casa Nem, depois de cinco anos de luta, tem finalmente um lugar definitivo para chamar de seu. O abrigo para LGBTIs criado pela ativista Indianara Siqueira será fixado em um imóvel próximo à Praia do Flamengo, Zona Sul do Rio, cedido pelo Governo do Estado. A assinatura da cessão do local será nesta sexta-feira (11).

Fachada do imóvel definitivo da Casa Nem. Espaço conta com seis quartos, dois banheiros, sala e cozinha.

A Casa Nem é uma ideia e ação pioneira voltada à população de transexuais, travestis, gays e lésbicas. A iniciativa da ativista Indianara Siqueira inspirou a criação de outros abrigos, como a Casa 1, em São Paulo.

Antes de conseguir um imóvel definitivo, a Casa Nem havia ocupado outros prédios na cidade. A luta da anticapitalista Indianara era a de conseguir o imóvel definitivo sem precisar recorrer a recursos de empresas que pouco ou nada se importam com a causa LGBTI+ e que fariam doações apenas para criar uma falsa imagem de aliada diante da população.

“A Casa Nem provou que um outro mundo é possível”, escreveu Indianara em uma postagem nas redes sociais.

Últimos dias de tensão

No último mês, a Casa Nem havia sido despejada da ocupação de um sobrado que estava há anos e anos desocupado em Copacabana. Os moradores encontraram o prédio com muita sujeira, poeira e infestado de insetos. Eles fizeram toda a limpeza para tornar o local habitável. No entanto, uma ordem judicial exigiu a reintegração de posse para a família dona do imóvel.

Em um acordo com o poder público, a Casa Nem foi realocada em uma escola estadual na Zona Sul da cidade. Isso não livrou a fundadora, Indianara Siqueira, de ser detida pela polícia nesta semana. Denúncias de ‘invasão’ da parte de moradores levaram os agentes ao abrigo. Ao chegar à delegacia, os policiais civis constataram o engano e Indianara foi liberada.

Leia na íntegra o texto da ativista Indianara Siqueira

Agora é oficial .
Depois de uma luta de quase 5 anos em uma união de varios movimentos sociais. Costurando acordos e trabalhando em conjunto com os poderes publicos onde foi necessário traçar um caminho da Lapa na Rua Morais e Vale 18, ocupando o Automovel Clube do Brasil no passeio publico em uma ocupação cultural nesse que foi o primeiro congresso nacional desde que o Brasil se tornou republica passando pela ocupação Denise em Botafogo na R. General Polidoro, descendo pra fortalecer a ocupação de Vila Isabel se unindo a FIST e indicando como nome uma homenagem a cantora Elza Soares , expulses fomos pra Bonsucesso fortalecer a Ocupação cultural Olga Benario que precisava de ajuda , fomos pra R.Ramalho Ortigão temporariamente no centro , ocupamos por uma noite um imovel na Rua da Carioca pra que as pessoas da CasaNem descansassem de suas andanças ao por do sol pra que ao raiar do dia pudessemo juntes sem largar as mãos dos que ficavam mas entendendo quem ficava no meio do caminho e pra esses deixavamos a provisões e a promessa de um dia teremos nosso lugar e viremos te buscar ou vc poderá nos encontrar onde estivermos. Chegamos a Copacabana pra flertar durante um tempo com a princesinha do mar em um predio da R . Dias da Rocha um dos primeiros a ser construido em copacabana onde um acervo de obras de arte foi encontrado e devolvido ao IPHAN, Museu Nacional e Policia Federal e parecia que por termos prestades um serviço à sociedade nos dariam esse local.
Limpamos e organizamos o prédio.
Fomos sementes e levamos a presença de Marielles, Dandaras, Xicas Manicongos,Giselle Meirelles, Demétrios, João W.Nery por onde fomos e sem perceber já nos dava-mos em fruto, em, pão , alimento , em água pra matar a sede dos afogados pelo abandono.
Fomos tantes e uma força nos unia : A sobrevivência nutrida pela esperança de um mundo melhor mas não só pra nós e sim por todes.
E de repente quando o mundo parou e
um vírus mortal atacou a humanidade.
A morte nos rondava no ar ao respirar .
Mas para a CasaNem não lhe foi permitido parar e lhe foi exigido além do que parecia ser possivel. E enquanto as pessoas pareciam perdides a CasaNem chamou para si a responsabilidade de proteger os mais vulneraveis sem esquecer os animais não humanes.
Formou-se então uma rede onde as Casas de Acolhimento LGBTIA+ foram chamadas a formarem a REBRACA LGBTIA+ .
A fome apertava e a gente achava que não daria conta .
Mas estamos dando e não chegamos lá sozinhes.
CasaNem provou que um outro mundo é possível através da rede de colaboradores ( colabores) e amigues durante essa pandemia distribuimos mais de 3500 cestas com Kit de higiene e limpeza ,20 mil mascaras de proteção, quentinhas e roupas pra alimentar e proteger moradores de rua com ração pros animais de estimação e acolhendo alguns desses animais .
Está sendo exaustivo .
E depois de muita luta se não era possivel estar a duas quadras de uma das praias mais famosa do mundo. Nos atacavam outra vez .
As forças policiais chegaram e era necessario resistir .
Resistimos e a organização levou a um acordo em frente as cameras de televisão os órgãos publicos foram chamados : Ou faziamos um acordo pacifico ou lutariamos até a nossa ultima gota de sangue.
Então nos escondemos por trás de barricadas prontas a explodir.
Do lado de fora os portões tinham os corpos de manifestantes que começam conosco uma vigilia.
Entre a promessa de ir pra laranjeiras restava a alternativa da escola Estadual Pedro Alvares Cabral como provisorio até que o governo do estado do Rio de Janeiro encontrasse um local pra CasaNem.
Aceitamos o acordo . Ao chegar na escola já sabíamos que estaríamos sobre ataques de uma vizinhança que já é hostil aos estudantes do local . Vizinhança que nos atacou com cabeças explosivas de fogos de artificios e aos animais de estimação acolhides.
Sem mandato a policia invadiu o local e levou a pessoa responsável detida como se quizesse humilha-la mais uma vez .
Foram muitas lutas e toda luta pra assim ser chamada precisa de adversarios e esses foram muitos .
E parecia que nos espreitavam a cada curva .
E nós só queríamos saber depois da curva ali o que tinha pra nós.
Então esperamos e depois da curva logo atrás do castelinho vcs nos encontrarão a beira mar do bairro do Flamengo .
Pra quem já teve tantas incertezas .
Pra quem já passou fome . Pra quem a vida tirou todas as possibilidades e ainda assim espera o temporal passar e sorri pra que vcs possam nos encontrar ali depois da curva como um pote de ouro no fim do arco-iris .
Quando perguntarem a vcs e depois da curva hein ?
Respondam : Tem a CasaNem com viado, sapatão ,Transvestigenere, TransAgenere, gates, cachorres e putes de luta.
Logo ali .
Depois da curva do tunel ali na rua 2 de Dezembro n°09.
Convidamos vcs a nos visitar quando a tempestade da pandemia passar.

” Nós somos sementes de Marielle que brotaram contra bolsonaro”.

#CasaNemCasaViva

Nos acompanhe e saiba mais!
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1 thought on “Casa Nem, abrigo para LGBTI+, conquista endereço definitivo no Rio

  1. Ótimo que conseguiram novo local.
    E como sempre os que de longe são MUITO mais preconceituados que são os LGBTs, mais ainda transexuais e travestis, quase nada é feito, noticiado de bom etc pela tosca grande imprensa de rádio e TV.
    Protestem também contra eles por ignorarem, são do tipo “só é preconceito quando se diz contra”, senão LGBTs são quase sempre ignorados.
    Adendo (que não necessitam publicar).
    Ah, por favor sem essa linguagem esdrúxula de “amigues” e afins.
    “Linguagem inclusiva – inclusiva de verdade ou “Por que usar @ e X no final das palavras é idiotice” em
    https://ceticismo.net/2018/03/06/linguagem-inclusiva-inclusiva-de-verdade-ou-porque-usar-e-x-nas-palavras-e-idiotice/

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