Debate sobre estratégias de prevenção às ISTs marca programação do “Prêmio Nosso Orgulho 2021”

Texto de Euro Filho/Colaboração para Nosso Orgulho

O palco do Teatro Gonzaguinha recebeu, nesta quarta-feira (17) mais uma etapa do “Prêmio Nosso Orgulho 2021”, que além de presentear mais duas categorias, também promoveu um debate sobre formas de atingir o público mais jovem na prevenção de Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs). Os participantes foram Léo Aprigio, integrante da Rede Jovem Rio +, Maria Eduarda Aguiar, presidente do Grupo Pela Vidda-RJ, e Jaqueline Gomes de Jesus, psicóloga e professora do IFRJ.

O debate fez parte da programação do Prêmio Nosso Orgulho 2021, evento que acontece em atividades online e presenciais ao longo deste mês de março. O Prêmio Nosso Orgulho 2021 é uma realização da Silhueta Produções e conta com o patrocínio da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa por meio de recursos da Lei Aldir Blanc e conta também com o apoio da Prefeitura do Rio e da UNAIDS

A conversa foi marcada pela denúncia da fragilização e regressão das políticas públicas de prevenção às ISTs, sobretudo em relação ao público jovem LGBTQIA+. Maria Eduarda foi a primeira a ter oportunidade de falar, ela destacou que a abertura para falar em escolas sobre sexo seguro há algum tempo vem deixando de acontecer, “a gente tinha no passado esse projeto de ir nas escolas, eu cheguei a ir em uma ocasião, e foi muito proveitoso. Só que agora você não tem mais isso”.

Eduarda também abordou sobre a redução de insumos de prevenção que tem acontecido desde 2018, “hoje, 2021, a gente está tendo uma dificuldade muito grande dos insumos de prevenção. Isso vai a longo prazo aumentar os casos de infecção para ISTs”.

Na sua fala, o educador Léo Aprigio contrariou a noção do jovem ser mais informado atualmente por causa da facilidade de acesso à internet, “a verdade é que isso não é a realidade, os jovens, como qualquer outra juventude da década de 1970, 60, estão muito mais preocupados em como vivenciar sua sexualidade, a construção de família, do que pensar em ISTs ou DSTs. Não é porque a internet chegou que essa realidade iria ser alterada”, disse ele, lembrando que as redes sociais são plataformas de disseminação de fake news e o HIV e Aids não escapa desse caldeirão de desinformação.

Fotos que compõem esta matéria são de Blinia Messias em especial para o Prêmio Nosso Orgulho

Léo destacou a importância dos movimentos sociais no acolhimento de pessoas LGBTQIA+.

“A gente costuma fazer uma pergunta muito simples nos encontros de jovens: Quem de vocês teve educação sexual em casa? De quarenta pessoas que a gente conseguia reunir nos encontros presenciais, se duas ou três levantavam a mão era muito”, disse ele.

“Com quem a gente vai falar sobre ser gay, ser lésbica, ser trans, se a gente não está conseguindo nem entender quem a gente é. São processos que acabam vulnerabilizando a nossa população justamente por a gente não conseguir entender onde procurar referências. E é onde eu vejo a importância extrema dos movimentos sociais que constituem a rede de acolhimento tanto de LGBTs como de pessoas que vivem com HIV e Aids”, ressaltou o educador, sem deixar de reconhecer que o Estado é o grande responsável por prover saúde, “a saúde é um direito de todos e dever do Estado, já diz a própria Constituição”, completou.

Ao ser questionada sobre estratégias que atinjam o público trans, Eduarda chamou a atenção para a falta de um ponto básico, “há anos que o Ministério da Saúde coloca a população trans como HSH (homens que fazem sexo com homens), a gente não tem dados estatísticos dentro do boletim epidemiológico. Então como eu vou fazer uma política de combate à epidemia de HIV e AIDS da população trans, se eu não tenho o mapeamento dessa população?”.

Para Leo Aprígio, é importante construir a noção de autocuidado. Ele destacou a atuação da Rede Jovem+ no atendimento da população de transmissão vertical. “Não se fala que esses jovens muitas vezes estão falecendo porque desistiram do tratamento, porque não tiveram uma base familiar. São desafios como o acolhimento destes jovens que a gente vêm enfrentando nos últimos anos”. O educador vê a ampliação do acesso ao atendimento público para o cuidado da saúde mental como estratégia fundamental para a reversão do quadro. “E que seja um atendimento semanal, recorrente e com apoio clínico e não apenas voltado ao desenvolvimento sócio-emocional pensado para dar uma resposta à sociedade. É preciso pensar no desenvolvimento individual porque se a gente não se desenvolve individualmente como a gente vai conseguir se desenvolver coletivamente?”

Ao final, a psicóloga Jaqueline Gomes de Jesus ressaltou a importância da preservação do sistema público de saúde para a garantia de dignidade mínima da população brasileira. “Viva o SUS. Viva a saúde pública. Viva o sistema universal de saúde pública que é único no mundo. Se não fosse ele, teríamos muito mais mortes em decorrência da Covid”, sintetizou.

Assista na íntegra

Nos acompanhe e saiba mais!
error

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *