Dia das mães: Conheça a história de mulheres com HIV que lutaram pelo direito de serem mães

Da Agência AIDS

Em alusão ao Dia das Mães, comemorado no próximo domingo (10), a Agência de Notícias da Aids relembra histórias de mulheres que, para além da maternidade, se dedicam à luta contra a aids e o preconceito. Muitas delas, justamente por viverem com HIV, chegaram a acreditar que não poderiam ter filhos e precisaram enfrentar o estigma para construir suas famílias.

Por meio das histórias de vida aqui retratadas, homenageamos as mães pela coragem ao lidar com os desafios na busca por autonomia, direitos, acesso à tratamento e tantos outros desafios presentes na vida daquelas que vivem e convivem com o HIV.

Relembre a seguir as histórias das ativistas Vanessa Campos e Heliana Moura.

 

Vanessa Campos

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Em março de 1992 ela recebeu o diagnóstico. “Eu era uma adolescente sonhadora e que se achava bem informada”. Aos 17 anos, Vanessa Campos começou a namorar. “Procurei uma ginecologista para os devidos cuidados, quando decidi iniciar minha vida sexual. Nesta consulta não fui instruída sobre prevenção de doenças sexualmente transmissíveis, e eu nem sabia que camisinha existia”.

Seis meses após o término do relacionamento, Vanessa soube da morte do ex-namorado. Logo, foi instruída a fazer o exame de HIV. “Recebi o resultado junto com minha mãe e saí da consulta com uma certeza: não havia tratamento algum, eu teria seis meses de vida e o que eu podia fazer era continuar me cuidando com carinho.”

Apesar de a realidade mostrar a ela que as pessoas com HIV/aids não viviam por muito tempo, Vanessa não admitia “deixar os planos morrerem”. Por isso, não se abdicou de viver. Casou-se duas vezes com maridos que não tinham o vírus. “Contei para eles logo de cara. Eu disse pra ele: Menino, tenho um problema muito sério… eu nunca vou poder namorar ninguém. Ele respondeu: ‘Mas eu gostei de ti assim.’”

As duas uniões geraram 3 filhos no total. Dentre as situações de preconceito que vivenciou, uma das piores foi justo durante  o parto da 3 filha. Discriminação vinda dos próprios profissionais de saúde. “Chegaram a mandar eu desinfetar os lugares por onde passei quarto do hospital. Isso já no ano de 2001”, conta indignada.

“Além disso, quando vi a cardeneta de vacinação da minha filha estava escrito bem na capa: filha de mãe HIV positivo. Isso é um absurdo”. Para ela, infelizmente, o preconceito continua o mesmo. “Hoje participo de encontros através do movimento social e vejo que, infelizmente, pouca coisa mudou.”

Vanessa usa o trabalha Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV e Aids para monitorar e buscar mudar aquilo que está a seu alcance. Mudança que começa de casa. “Minhas filhas foram preparadas pra isso, até pra que eu pudesse fazer a militância como gostaria.” Hoje, Vanessa tem 45 anos de idade e agradece por ter aprendido que “o vírus não me fazia pior e nem inferior a ninguém, foi aí que consegui me amar de verdade. O HIV não me define, o que me define é a forma com que eu lido com ele.”

 

Heliana Moura

Era o ano de 1997 quando Heliana de Moura decidiu fazer o teste de HIV. “Ouvi boatos na minha cidade [Belo Horizonte, capital de Minas Gerais] de que o meu namorado tinha aids. Pensei: ‘se ele tem, eu também tenho’. E não é que eu estava certa? Quando soube do diagnóstico,  decidi até mudar para Brasília. Ficou impossível viver em BH, o povo comentava sobre tudo e já estavam espalhando que eu era soropositiva também.”

Na época, Heliana já tinha uma filha. “Foi um desespero saber que eu era positiva. Era o mesmo que receber uma sentença de morte. Fiquei com muito medo, mas o que mais me assustou foi a forma como o médico me tratou. Lembro perfeitamente que ele escreveu em meu pedido de teste de HIV que o motivo era promiscuidade.”

Quase dois anos depois de ter recebido o diagnóstico, Heliana foi retomando a vida aos poucos e engravidou pela segunda vez. Sempre bem humorada e com espírito jovial, decidiu se cuidar mais ainda para que o filho nascesse livre da aids. “Tenho dois filhos, ambos soronegativos. Meu caçula está com 17 anos e a mais velha, com 26. Eles sempre foram a minha maior riqueza. Contar para eles que eu sou soropositiva talvez tenha sido a tarefa mais difícil da minha vida. Me sentia insegura, mas no final tudo deu certo, eles supercompreenderam.”

Diferente de muitas mulheres com HIV que buscam no movimento social apoio para superarem sua nova condição sorológica, a mineira Heliana de Moura (46), ao chegar no ativismo, seis anos mais tarde, já se sentia  fortalecida. Foi em 2003, quando participou, no Rio de Janeiro, de um encontro regional do MNCP (Movimento Nacional das Cidadãs Positihivas). “Cheguei lá com muita vontade de aprender. Eu já havia superado a fase mais difícil e conseguido aceitar que era soropositiva, graças ao apoio da minha família, de psicólogos e da ONG de BH”, ela conta

Nos acompanhe e saiba mais!
error

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *