Diário de um casal sorodiferente : o amor de Léo e Mauricio

A história de Leonardo Cezimbra (na foto, de cabelos loiros) e Maurício Ávila dá um filme romântico daqueles cheios de encontros e desencontros. Desde crianças, a vida vinha colocando eles de frente um ao outro, mas o verdadeiro encontro teimava em não acontecer.

Léo estava há três anos solteiro. O preconceito que ainda persiste na sociedade contra as pessoas que vivem com HIV era um dos motivos. “Eu estava recebendo uma sequência de nãos por causa do preconceito e do estigma. Já estava tentando me adaptar a essa realida- de que vinha se apresentando”, lembrou o profissional de Educação Física e ativista pelo respeito às pessoas que vivem com HIV/AIDS.

Maurício conhecia a militância de Léo e sabia que ele vive com o vírus. Formado em Biologia e bem informado, nunca teve nenhuma insegurança ao se envolver, pelo contrário.
“Eu tive um namorado que também vivia com HIV. Antes de conhecer o Léo, eu já tinha as informações necessárias sobre prevenção. É se cuidar, usar camisinha. Pra mim, é um relacionamento como o de qualquer pessoa. Não vejo diferença”, ponderou Maurício.

“A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida” (Vinicius de Moraes)

Léo e Maurício sempre estiveram perto um do outro, desde muito cedo. “Quando a gente era criança, nossas famílias frequentavam os mesmos lugares. Nós temos muitos amigos em comum, já demos oi um pro outro, mas nunca tinha acontecido nada”, lembra Léo”.

Depois de muitos desencontros, o encontro definitivo foi costurado por meio de uma foto no Instagram.“O Maurício viu uma foto minha em que eu vestia um kilt e perguntou onde eu tinha comprado, olha só o papo”, Léo recordou.

Da pergunta, que, claro, era apenas um pretexto, veio a conversa. Da conversa no Insta, veio a conversa no Facebook, no Whatsapp. Mas o encontro mesmo aconteceu quando Léo tomou, finalmente, a decisão de marcar uma data, depois de muito papo e muita timidez do Maurício. Desde o primeiro café, eles nunca mais pararam de se ver.

As diferenças foram compreendidas como parte e potência da relação. “Eu sou muito indeciso e o Leonardo é prático e direto. Com ele não tem meio termo”, contou o namorado. Léo não precisou pensar muito para também apontar uma característica de Maurício oposta e complementar.

“Eu sou acelerado e o Maurício é calmo. Isso é bom para os dois porque, quando é preciso, ou o Maurício me acalma ou eu dou uma acelerada nele”, contou Léo.

A maturidade do casal para lidar com as diferenças ressalta aos olhos quando abordam a forma como compreendem a sorodiferença. “Existem várias formas para se prevenir. Existem formas combinadas para a prevenção ao HIV. A gente não pode deixar o vírus ser mais forte que o amor que une duas pessoas. Às vezes, a gente pode deixar passar alguém que vai ser bacana na nossa vida por medo ou falta de informação”, disse Léo.

Mensagens como esta, ele passa no canal do YouTube Confissões de um Soropositivo. “É preciso desconstruir o medo e o estigma. É preciso se permitir além de um vírus”, completou.

“Não se pode olhar alguém e enxergar um vírus. Têm que enxergar apenas uma pessoa. Eu nunca tive dúvidas de namorar com o Leonardo. Eu tenho admiração pela militância que ele exerce, pelo engajamento ao buscar diminuir o estigma do HIV. Eu tenho muito orgulho da luta do Leonardo. Me faz muito bem estar com ele”.

Matéria publicada na edição impressa de Rio Gay Life, distribuída na cidade do Rio de Janeiro gratuitamente desde o dia 1• de março com o apoio da UNAIDS Brasil, instituição da ONU para o tema do HIV/AIDS.

Nos acompanhe e saiba mais!
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1 thought on “Diário de um casal sorodiferente : o amor de Léo e Mauricio

  1. Conheço o Mauricio a uns dez anos.
    E ele é uma das pessoas mais amáveis que já tive a honra de conviver.
    Ainda não tive a alegria de conhecer o Leo.

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