Fotos mostram a vítima, o ajudante de cozinha Marcelo Macedo, no hospital e antes do crime. A Polícia Civil não liberou imagens dos presos. Fotos: Reprodução

Presos policial militar e mais dois acusados de tentar matar rapaz com quatro tiros por homofobia

PM é apontado pelas investigações como o autor dos disparos

A Delegacia de Camaçari prendeu nesta sexta-feira (1º) os três acusados de tentar matar com quatro tiros o ajudante de cozinha Marcelo Macedo, 31 anos,  em um bar na cidade de Camaçari, Região Metropolitana de Salvador.

Investigações realizadas por policiais da 18ª Delegacia Territorial (DT) de Camaçari resultaram na prisão do policial militar Fredson Silva de Castro, além de Maurício Ferreira de Jesus e José Carlos Novaes Souto Neto, nesta sexta-feira (1). O trio tem envolvimento na agressão e tentativa de homicídio, ocorridas em um bar, naquela cidade.

Segundo o levantamento dos agentes, o policial foi o autor dos disparos, enquanto os outros dois homens agrediram Marcelo com chutes e socos por todo o corpo. A Polícia Civil da Bahia não liberou imagens dos presos.

A titular da 18ª DT/Camaçari, Thais Siqueira,  explicou que os três tiveram mandados de prisão temporária cumpridos. “Eles foram identificados como autores dos crimes e teriam sido motivados por homofobia, após presenciarem a vítima beijando o companheiro”, completou a delegada.

Com o cumprimento dos mandados, o policial militar deverá ficar custodiado no 12º Batalhão (BPM/Camaçari), onde é lotado. Maurício e José Carlos serão encaminhados ao sistema prisional. “Vamos finalizar as oitivas e concluir o inquérito”, destacou a titular.

Relembre o caso

O crime aconteceu na noite do dia 20 de outubro. Marcelo estava em um bar com um “ficante”. Depois de um beijo, um grupo se aproximou com xingamentos homofóbicos perguntando se Marcelo “não tinha vergonha de fazer isso na frente de pais de família”.

O ajudante de cozinha Marcelo Macedo ficou internado por seis dias se recuperando da tentativa de homicídio.

Marcelo tentou argumentar que não estava fazendo nada de errado, mas acabou derrubado e vítima de socos e pontapés . O policial militar disparou quatro vezes contra o rapaz. O grupo fugiu do local e Marcelo foi levado a ao Hospital Geral de Camaçari, onde permaneceu internado até o último sábado. Ele se recupera em casa dos ferimentos .

Apesar do ódio que foi vítima, Marcelo disse que não vai se intimidar e continuará demonstrando afeto em público.

“Eu vou sair e vou continuar agindo normalmente, porque não estou fazendo nada de errado, mas seguro a gente nunca está”.

O que me encoraja é o medo”

Em uma postagem emocionada no Instagram, Marcelo desabafou sobre a violência homofóbica que sofreu. “Me chamar de ‘viado’ não é ofensa. Tomar quatro tiros sim”.

Confira na íntegra o relato de Marcelo :

Vivi um verdadeiro filme de terror nos últimos dias. Por isso quero iniciar agradecendo todos os meus amigos por me carregarem no colo. É difícil acreditar que as pessoas são agredidas tão cruelmente e de maneira tão covarde pelo simples fato de demonstrar afeto. É triste. Dói. Estou despedaçado. Eu amo a minha cidade, nasci e me criei aqui. Nem no meu pior pesadelo eu imaginei que um dia pudesse ser tão violentado. Ver a morte de perto é assustador. Nos paralisa. Sou jovem, tenho uma família, uma vida inteira pela frente e por um milagre de Deus hoje estou vivo, mas quase tive meus sonhos interrompidos de maneira tão vil. O que me dá força para escrever pra vocês é a gratidão pelos meus amigos, sem eles e sem a todos que me mandaram mensagens de carinho e afeto, não sei se conseguiria. Mas o que me encoraja também é o medo. Só quem já perdeu um familiar ou um amigo conhece essa dor, só quem já esteve de cara com a morte sabe o que estou falando e pode mensurar um pouco do que estou sentindo agora.

“Quase tive meus sonhos interrompidos de maneira tão vil”, disse Marcelo em post emocionado. Foto: Reprodução.

Dormi e acordei em uma cama de hospital, e só sabia chorar, achei que tivesse morto e desfrutava do paraíso. Não lembrava de muita coisa. Ao abrir os olhos e me dar conta do que estava acontecendo, entrei em estado de choque, mas por incrível que pareça, o hospital é o meu lar agora, é o lugar onde me sinto seguro, protegido, em paz. Não sei como será quando sair daqui. Temo pelos meus familiares. Estamos assustados em saber que quem atentou contra a minha vida está solto por aí, sua cara não está estampada em todos os jornais estando tão vulnerável como eu me encontro agora, botando a cabeça no travesseiro deitado na cama da sua casa e dormindo todos os dias tranquilamente. Me chamar de “viado” não é ofensa. Tomar 4 tiros sim. Uma dor irreparável, além de física, emocional e psicológica. Não sei como será de agora em diante, não sei se serei mais o mesmo. Esse medo que estou sentindo, irei carregar até o fim dos meus dias. Só peço proteção para mim e toda a minha família. Orem por mim!

 

 

 

 

 

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