Raffa Carmo: O HIV e a população transmasculina

As políticas públicas do Ministério da Saúde existentes hoje no Brasil, voltadas à prevenção e combate ao HIV/AIDS e outras ISTs, não apresentam programas que contemplem as nossas especificidades e demandas enquanto população transmasculina. Pesquisas e índices que mostrem a nossa realidade não existem.

Esse descaso é decorrência do despreparo do poder público em dialogar sobre a nossa saúde. Acaba por reforçar a invisibilidade desse segmento para o Estado. Evidencia a falta de compromisso com a saúde integral de homens trans e pessoas transmasculinas e com o fortalecimento de espaços que promovam as discussões de equidade nas três esferas de governo em áreas essências para nossa vida cotidiana.

Reiteramos que o único conteúdo produzido pelo Governo brasileiro de forma específica para essa população foi a cartilha “Homem Trans:vamos falar sobre prevenção de infecções sexualmente transmissíveis?”, lançada em julho de 2018. A publicação é resultado de uma luta por políticas públicas travada pela Rede Nacional de Pessoas Trans desde o seu I Workshop Nacional em 2015.

Fez-se realidade depois de o Núcleo de Homens Trans da Rede publicar no dia 29 de janeiro de 2018, Dia da Visibilidade Trans, a cartilha* “Saúde do Homem Trans e Pessoas Transmasculinas”. O material tem como objetivo ser instrumento de informação para essas pessoas, estimulando o autocuidado com o seu corpo. Em outra ponta, serve de guia para aqueles que estão na gestão
dos espaços de saúde pública ou privada.

É importante ressaltar que o processo da construção da cartilha publicada pelo Ministério foi feito por nós, movimento de homens trans, que inclusive a redigimos. Afinal, atualmente somos conhecedores da realidade dos nossos pares nesse país, como por exemplo, os que são profissionais do sexo, gays, negros, grávidos, entre outras situações que nos perpassam e, explicam situações de vulnerabilidade social que podem nos levar ou à infecção pelo vírus do HIV ou ter acesso aos novos mecanismos de prevenção. Portanto, há urgência da inclusão desse segmento “esquecido” nos planos de ações e políticas públicas desenvolvidas por esse órgão.

*Disponível em www.redetransbrasil.org.br na aba Cartilhas

Raffa Carmo é artista Visual, Coordenador da Rede Paraense de Pessoas Trans e
Coordenador de Raça e Etnia da Rede Trans Brasil.

Nos acompanhe e saiba mais!
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