Sargento gay é indenizado em R$ 60 milhões; polícia queria obrigá-lo a ser discreto

O sargento Keith Wildhaber recebeu cerca de US$ 20 milhões (R$ 60 milhões) de indenização em ação movida contra o departamento de polícia do condado de St. Louis, no Missouri (EUA). Wildhaber  sofria perseguição no trabalho por ser homossexual. Ele foi preterido 23 vezes em oportunidades abertas entre 2014 e 2017 para promoção no distrito policial.

O caso foi julgado no tribunal do condado na última sexta-feira. Wildhaber relatou ao júri que ouviu de um membro do comissariado de polícia que, para ser promovido, ele deveria “suavizar a homosexualidade”.

O sargento também encarou xingamentos dentro do local de trabalho. Um capitão de polícia chamou Wildhaber de ‘frutinha’ durante o expediente.

“Fiquei enojado com isso”, disse Wildhaber ao tribunal. “Disse para ele: ‘Não acredito que estamos tendo essa conversa em 2014’. Foi devastador ouvir isso.”

Os relatos de homofobia dentro do departamento de polícia foram confirmados por duas testemunhas aos jurados.  Uma delas, Donna Woodland, contou que ouviu do capitão Guy Means que Wildhaber estava “muito excitado com sua homossexualidade e ele precisava diminuir o tom se quisesse uma camisa branca (promoção)”. Ela também se lembrou de Means dizendo: “Você sabe sobre ele, certo? Ele é frutinha. ”

No julgamento, o capitão negou as acusações e disse que sequer conhecia a testemunha. Mas ele acabou confrontado com fotos tiradas ao lado dela onde demonstrava grande afeto.

O capitão negou ao júri que conhecia a testemunha, mas as fotos mostraram o contrário.

Ao final da audiência, o júri estabeleceu o valor de 20 milhões de dólares de indenização ao policial. Na leitura da sentença, um assessor dos jurados alertou:  “Se você discriminar, vai pagar um preço alto”.

O executivo do condado de St Louis, Sam Page, disse, em comunicado, que indicará novos membros para o conselho da polícia. “Nosso departamento de polícia deve ser um local onde todos os membros da comunidade e todos os policiais sejam respeitados e tratados com dignidade. As decisões de emprego no departamento devem ser tomadas por mérito e quem é o melhor para o trabalho ”, disse Page. “Chegou a hora das mudanças de liderança e as mudanças devem começar do topo”, completou.

 

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